segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Carlos do Ciça: Tecnologia da Imbromação


Confesso que nunca fui fisgado pelas maravilhas da informática e suas revolucionárias inovações que facilitam o dia-a-dia da vida moderna, mas que também podem transformar o universo das pessoas em uma irrealidade corriqueira, entediante e solitária. Com a popularização da web, eu me tornei um homem das cavernas, condenado pela era digital. Não tenho computador, notebook, tablet ou smartfhone e não uso twitter, face-book, whatsaap, instagram e nem sequer um simples “e-mailzinho”. Portanto, sou completamente “desinformatizado” e sem acesso a nada que possa me conectar a esta grande rede, com suas portas sem tramelas para os bons e para os maus. 
         Meu restrito mundinho virtual se resume a um velho aparelho celular – comprado em três prestações (sem entrada) – que serve basicamente para receber ligações e fazer chamadas. No máximo, arrisco-me a responder algumas mensagens recebidas, desde que não sejam de cobradores, o que vem ocorrendo com mais freqüência devido á crise econômica mundial, que o derrotado e revoltado Aécio Neves insiste em atribuir ao governo da minha musa Dilma Rousseff. Mas mesmo sem dispor de outros recursos, prezo muito pelo meu arcaico celularzinho, cujo número – (34) 9961.4900 – eu preservo há mais de quinze anos.
         Estou revelando este meu perfil de “troglodita internautico” para abordar um tema levantado pelo meu grande amigo, ex-vereador, advogado e carreiro de nascença, Gilson Corrêa, numa saudável discussão política regada a cerveja, tira-gosto e a boa cachaça produzida pelo vice-prefeito Jeovanine Rabelo, ocorrida dias atrás na varanda da minha humilde residência. Os companheiros Lando Lacerda, Valmir Borges e o nosso venerável mestre Tião Procópio – que não se curva à internet, mas sabe tudo de informática – também participaram desta profícua reunião, sem lavratura de ata para os anais da história.
         O debate esquentou quando Gilson Corrêa revelou como o uso da TI (pronuncia-se “Tê-i”) – Tecnologia da Informação – contribuiu para a vitória do prefeito Zé Benedito na eleição de 2012. Segundo ele, a campanha eleitoral do Dr. Zé contou com uma brilhante equipe de tecnólogos em trackings, post menssenger, mídias sociais e outras estratégias de comunicação, para captação e análise de informações vitais, fatores científicos e dados estatísticos, como formas infalíveis de arrebanhar votos. Esta equipe teria regido magistralmente as mais avançadas ferramentas da internet, utilizando-se das novas concepções de marketing político online, para convencer virtualmente os eleitores de que o Dr. Zé era o único candidato capaz de promover os avanços administrativos e as mudanças que superariam décadas de atraso no desenvolvimento econômico e social de Vazante.
         Após a explanação de Gilson Corrêa, eu me senti como um tolo por desconhecer a existência desta suprema modernidade a serviço de uma campanha eleitoral. Imaginei que a tal de TI deveria ser mesmo uma coisa hipnótica, que pode até ter levado milhares de pessoas a acreditarem cientificamente no refrão da música “Vai dar tudo certo”, hino dos fiéis seguidores do prefeito.
         Mas, pensando melhor, depois de excluir os vírus da campanha do prefeito, concluí que a verdadeira TI que influenciou o resultado daquela eleição foi a “Taxa de Isgoto”, usada compulsivamente para “deletar” meu candidato Dr. Jacques, pela qual o povo ainda paga uma conta que já deveria ter sido quitada. Passados dois anos da posse de Dr. Zé, seus eleitores também reconhecem que foram vítimas de outra TI, ou seja, um “Tiro no Iscuro”, com um voto sem futuro.

Ao perceber que a única TI usada pelo prefeito é a “Tecnologia da Imbromação”, o próprio Gilson Corrêa trocou as lides políticas pela tarefa de amansar uma boiada nova e, agora, só pensa em participar com o seu netinho da próxima Festa do Carro de Boi da Cachoeira. Frustrado com as conseqüências da poderosa Tecnologia da Informação, ele já não esconde a sua baita TI (Taxa de Insatisfação) com o governo do Dr. Zé.     (CARLOS DO CIÇA)

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